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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Pré época. Conteúdos. Um exemplo.


Cada equipa é uma equipa. Cada qual tem um contexto diferente. Pelo que o presente post é apenas um exemplo sem qualquer validade para além daquela a que os objectivos poderiam serão aplicados. 

Enquanto preparava algumas coisas para o iniciar da época, relembrava as palavras de alguns brasileiros do Shakthar, surpreendidos com o trabalho táctico desde o primeiro dia. O trabalho tendo em vista chegar o quanto antes a um modelo de jogo. Sentindo como tal interessante o partilhar daquilo que é ainda apenas um esboço de algumas linhas que poderiam orientar os primeiros tempos numa nova época.

1a prioridade. Organização defensiva da linha média com saídas rápidas após recuperação.

Contexto. Alas habituados a defender mais à frente, como avançados / extremos, e pouco articulados com linha média. Num sistema de 442 tal deixará a equipa sempre em grande inferioridade no sector médio. Se não se apreender logo no primeiro momento o comportamento adequado, por forma a dar sucesso, mais difícil os atletas seguirem as ideias do treinador!

2a prioridade. Ataque posicional na zona de criação. Jogos de 6x5.

Contexto. Dar referências posicionais e preparar mobilidade para em posse no último terço desorganizar as estruturas defensivas adversárias.

3a prioridade. Organização defensiva na primeira fase. Pressing médio com avançados e linha média.

Contexto. Perceber como defender posicionalmente e pressionar construção adversária. Juntando os avançados à linha média que previamente adquiriu os comportamentos posicionais adequados. Após recuperação também já ligam com as saídas rápidas ou com o ataque posicional no último terço, anteriormente treinado.

4a prioridade. Ataque posicional. Construção. 

Contexto. Depois de se trabalhar ofensivamente no meio campo ofensivo, a importância de ligar as fases, para que se chegue lá, mesmo partindo de trás e não apenas após as recuperações altas.

Capacidades condicionais e técnicas integradas naquilo que são os objectivos primordiais de cada exercício. O objectivo táctico por forma a chegar rapidamente ao modelo.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

O caos, a aleatoriedade e a "estupidez de não aproveitar o jogo como um todo"

Há não muito partilhava aqui no blog as fantásticas declarações de Tuchel, o treinador do Dortmund. "...o futebol é muito complexo... é muito dinâmico. A bola está sempre a mover-se, é difícil controlar o jogo, o número de golos é reduzido e demasiado acontece de forma aleatória. Por isso é errado olhar para o resultado"sobre a forma como se deve avaliar o processo.

Pensava nesta aleatoriedade enquanto recordava um facto que o espelha. Alemanha e Espanha, selecções que nas individualidades, no colectivo e no seu estilo de posse, sempre com as decisões correctas, demonstraram o quão superiores em ataque posicional / organização ofensiva são a todas as outras que já entraram em prova... não foram capazes de chegar ao golo no momento do jogo em que mais tempo conseguem passar. Sim, conseguem. Não basta querer. 

Alemanha chegou ao golo numa bola parada e num contra-ataque. Não sendo também de negligenciar o muito perigo que foi sempre capaz de criar sempre que decidiu sair rápido em transição. Espanha com comportamentos extraordinários em ataque posicional, com gente entre linhas, criatividade, movimentos de apoio do avançado a tocar de frente nos médios já dentro do bloco adversário, com um Iniesta extraterrestre a tomar as rédeas da criação de nuestros hermanos, ainda assim, sem ter chegado ao golo dessa forma. 

Tudo porque como refere Tuchel, quando avalias o processo, é preciso saber que demasiado acontece de forma aleatória. Quer Espanha quer Alemanha as melhores em organização ofensiva não almejaram (ainda) marcar em tal momento. Mas tudo se explica pela aleatoriedade? Naturalmente que não. Será obviamente mais difícil chegar à oportunidade quando o adversário parte com dez atrás da linha da bola, do que quando se recupera a bola e sobram somente dois ou três atrás. Por isso as melhores equipas do mundo jogam consoante a situação de jogo. Capazes de em organização ofensiva manter a paciência e ter um estilo acentuado de posse como forma de desposicionar o adversário, mas também capazes de identificar os momentos para sair em ataque rápido ou em contra-ataque. Por isso, em tempos José Mourinho referiu "quem não aproveita o contra ataque é estúpido". O difícil, porém, é perceber quando se deve investir no contra-ataque e quando o parar e manter a posse. Alemanha fá-lo como ninguém. Porque tentar sair sempre em contra-ataque, independentemente do espaço e ralação numérica... é igualmente estúpido!

Importa também perceber que aproveitar o contra-ataque não se poderá nunca opor ao estilo de posse. E que quem o faz, não estará nunca a controlar o jogo, pelo simples facto de abdicar em demasia do mais importante. A bola. Tudo depende da situação de jogo. O espaço, a oposição e os colegas. É sempre a situação que determina a decisão. Há espaço e vantagem numérica impõe-se sair rápido. Perdeu-se a vantagem espacial e numérica, guarda, e troca à procura ou do desposicionamento adversário ou do chegar dos colegas aos espaços mais prometedores.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Treino - Do fechado ao aberto

A responder ao Diogo Santos, num dos posts anteriores   surgiu o treino fechado como limitador da criatividade e o que podemos ir alterando para o tornar mais facilitador da identificação de estímulos que ajudem a decidir melhor.
Na primeira situação, o exercício tem zero (ou aproximado de zero) possibilidades de coisas novas. Esta definido pelo treinador, tudo o que os jogadores têm de fazer. O jogador da direita dribla 3 cones e cruza, sendo que o da esquerda passa as escadas e as barreiras e aparece sempre no mesmo sitio para finalizar. Sim, pode finalizar de cabeça ou com os pés, sendo que isto pode também ser manipulado pelo treinador para fechar ainda mais a situação.
Na segunda situação,  adicionando um defesa, que deve ir escolhendo o cone em que aparece, vai obrigar em primeiro lugar ao atacante escolher outro sitio para aparecer, e a quem cruza perceber onde o colega vai aparecer para la tentar colocar a bola. Uma pequena modificação, que torna o exercício um pouco mais aberto, possibilitando aos jogadores identificarem estímulos de jogo.
Na terceira situação, ao adicionar um guarda da linha com tabela, voltamos a aumentar os estímulos de decisão. O jogador que vai cruzar tem um problema a frente, que pode ultrapassar com drible ou com tabela com um colega, e só depois tem o outro problema a resolver - para onde passar, em função do posicionamento do defesa e do atacante.
Na quarta situação, adicionamos duas balizas pequenas no corredor central. Se por acaso algum dos defesas ou o guarda redes ganharem a bola, a situação deixa de ser (2v1)+(2v1+gr) para ser GR+2v3, com a óbvia transição defesa ataque (e ataque defesa)

Isto são situações muito muito básicas, mas que permitem perceber onde se pode ir mexendo para abrir as possibilidades de decisão e acção dos jogadores. No fundo, nunca deixa de ser uma situação de cruzamento para a área, mas na situação 1, foi desenhada para robots, para treinadores que querem dominar TUDO o que se passa no treino e no jogo, enquanto que na situação 4, muita coisa pode acontecer que pode fugir ao controlo do treinador, mas que obriga a que os jogadores identifiquem estímulos para poderem decidir o que é melhor ou pior a qualquer momento.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Modelo de jogo e de treino. Aberto vs Fechado


‘The other thing you need is imagination. That’s so important. Not just imagination from me but imagination from the players around me. You can compare it with the receiver and the quarterback in American football. Sometimes the camera from behind shows there is nothing there. Then the quarterback throws the ball and then slowly you see the picture expand. It’s like a puzzle. Finally, where he’s thrown the ball, you see the catcher move to receive it. That’s a little bit like what I was doing. You need the pace on the ball, and both of you have to have the vision. In American football, of course, everything is about patterns and they practice it day-in day-out. But in football you can’t practice. It’s not like you have a timeout and the boss says: “OK Dennis, we’re going to do this pattern and Patrick is to know that Patrick is moving, and then you make sure there’s the right pace on the ball, and he’s not offside. And the timing has to be right, and you have to get all angles and the maths correct . . . But I always liked that sort of precision. It’s like solving the puzzle.’

Mais uma declaração interessante neste brilhante livro. A brincadeira do Star Wars, que podia ter sido outra qualquer, entra neste caminho. Este jogo tem uma complexidade tão maior do que os outros, que só pensando nela de forma aberta se consegue tentar entender. A relação de 1, com os outros todos, mas também com tudo o que o rodeia, torna todas as variáveis super relevantes para o desfecho final. Seja esse desfecho um passe, uma posse de bola, um jogo, um torneio ou um campeonato. Logo, se todas as variáveis são relevantes, a base do treino e da ideia de jogo nunca pode ser algo fechado e amplamente "controlado" pelo treinador, já que tudo muda a todo o instante. Por fechado e amplamente "controlado" pelo treinador, falamos de exercícios ou tarefas de treino em que as coisas acontecem de forma pré-definida. A passa para B, que recebe para a esquerda e depois de passar para C corre para o corredor blablablabla. São tarefas completamente fechadas, e ainda que possam fazer parte do treino (por qualquer razão facilmente justificável por quem planeia), nunca podem ser a sua base. A base do treino deve ser aberta, tal como o o jogo. O que não quer dizer que seja livre de princípios comuns. A relação do individuo com os seus colegas, adversários, condições climatéricas, momento do jogo, tamanho do campo, tabela classificativa e mais um infindável numero de variáveis, deve ser promovida em todos os momentos. Só quem em treino se consegue relacionar de forma favorável com o jogo vai estar pronto para o fazer em competição.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A condição e preparação física não existe

Nada mais falso. É preciso saber interpretar as afirmações. Quer a de Guardiola quer as que vamos tecendo por aqui desde sempre.

Todo o movimento é gerado pelo músculo. Levantar da cama é físico. Jogar futebol muito mais físico será porque envolve vários tipos de movimento que envolvem uma participação quase infinita de músculos seja em que função for. De agonistas, antagonistas ou apenas estabilizadores ou neutralizadores.  Portanto, sem físico não há movimento e muito menos futebol.

O importante é perceber que ao contrário de outrora, a tão falada "forma" do futebolista não se relaciona com aquilo que é a "forma / condição" física. Ao contrário de alguns desportos individuais em que a época é preparada para que se retire o maior rendimento físico em pontos muito específicos, o futebol não deve ter nada disto. 

Estar muito bem fisicamente não significa nunca que determinado atleta esteja em "forma". Porque no futebol, "forma" é o como o atleta se relaciona com o modelo de jogo da sua equipa. São as decisões que toma e o sucesso que tem que advém da sua tomada de decisão relacionada com a componente técnica. A forma chega muito mais pelo estado anímico e pela confiança (que chega pelo sucesso descrito anteriormente) do que pelo trabalhar mais as capacidades condicionais.

Portanto, naturalmente que o físico existe e está sempre presente. Mas não se dissocia dos restantes factores de rendimento. Todo o treino de futebol é físico, a menos que se esteja parado a fazer de barreira enquanto o colega treina os livres. Mas, o físico não deve ser o motor principal do exercício. Do jogo. É isto que sempre se referiu por aqui. 

Treinar o modelo de jogo é treinar o físico. Porque no modelo de jogo os jogadores movimentam-se. Correm. A diferentes velocidades. Saltam. Agacham-se e realizam cargas de ombro. Mudam de direcção. Aceleram e travam. Tudo sempre relacionado com o jogo. Exemplo extremo e absurdo para que se perceba a ideia. Haverá algo mais físico que jogar um 5x5 a campo inteiro? Impossível! 

Em suma, naturalmente que a preparação física existe. O jogo é preparação física. O que não existe ou não deve existir é desenquadrada da realidade do jogo. A forma existe. Mas não se relaciona com determinados "picos" físicos. Mas antes com aspectos mentais positivos, que chegaram pela boa relação com o jogo e com o modelo em que se está inserido. Podemos de forma subjectiva perceber que Jonas deverá ser o jogador em melhor forma da Liga. Mas seguramente que não será o que consegue correr por mais tempo. O que consegue correr mais rápido, saltar mais vezes ou mais alto ou levantar mais peso. 

Hoje, mais do que nunca o factor diferenciador dos bons para os muito bons e destes para os excelentes é a capacidade para tomar decisões. E não as capacidades condicionais.

E se o Messi tivesse mais força sem perder um único atributo. Não seria melhor jogador? Naturalmente que sim. A questão é: Se tivesse mais força, não teria perdido outros atributos? É que teria seguido um caminho diferente. Com sucesso noutras coisas, as suas vivências seriam outras. Teria tido sucesso de outra forma e talvez não tivesse desenvolvido de forma tão clara aquilo que faz com que seja hoje o melhor de sempre.

E sobre isso, há que citar Luis Enrique: "Pensei, mais vale não mexer para não estragar".

sábado, 23 de janeiro de 2016

Treinadores de topo, abertos ou fechados a partilha de conhecimento?


Devido a varias experiências, temos a tendência para encarar muitos treinadores como pessoas que guardam "os seus segredos" a sete chaves, que são incapazes de partilhar os "como" e os "porque" de escolher este ou aquele, de utilizar esta ou aquela estratégia.


Na ultima semana foi possível observar de bem perto um treinador português que já foi campeão em Portugal, e que já trabalhou em vários países, com diferentes experiências.

Tem estado sempre no topo, desde que o conhecemos como treinador.

Foi, durante quase duas semanas, quase inacreditável a maneira como se mostrou disponível para abrir o jogo sobre aquilo que adoramos, o jogo e o treino.

Incrível a maneira como se aproximava de nós, no final dos treinos, já de bloco e caneta na mão, para conversarmos um pouco sobre aquilo que nos une, que é a paixão pela bola e pelo que se faz com ela.

A imagem que tinha deste treinador era de alguém que seria forte na comunicação e na análise de jogo, mas menos forte no planeamento e operacionalização e intervenção no treino.

Passadas estas quase duas semanas, é fácil perceber (mesmo não concordando com algumas ideias) porque é que está a tanto tempo "lá em cima" e por lá vai continuar.

Controlo e gestão do treino muito muito bons, ligação entre exercícios e entre treinos coerente. Criação de autonomias nos jogadores para que possam melhorar e optimizar aquilo que entendem que é importante.

Ganhou admiradores de todo o mundo nestas duas semanas.

domingo, 8 de novembro de 2015

Jogar a 10? Nao é para mim - Lewandowski


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Robert Lewandowski, agora jogador do Bayern Munique, revelou que quando estava no Borussia Dortmund se sentiu frustrado com Jurgen Klopp por este não o ter colocado a jogar a avançado.

«O Borussia expressou interesse em mim depois do meu primeiro ano no Poznan. Quando saí, depois da segunda temporada, queria dar o próximo passo…mas, infelizmente, estava a jogar no papel de 10. Estava muito chateado porque queria jogar na frente», começou por contar o jogador em exclusivo à edição de Dezembro de 2015 Four Four Two.

A revista revelou, esta quarta-feira, um excerto da entrevista e o jogador admitiu que depois percebeu o motivo que levou Jurgen Klopp a colocá-lo nessa posição.

«Só no ano seguinte é que percebi o quanto aprendi nessa posição. Disse a mim mesmo: “Tornaste-te um jogador melhor”. E depois compreendi o motivo pelo qual o treinador me pedir para jogar a 10, fez-me um jogador mais completo», terminou. 

O avançado leva, esta temporada, 17 golos em 16 jogos com a camisola dos bávaros e é um dos futebolistas mais falados do momento na sua posição. 



Acontece com jogadores de todas as idades. Tantas e tantas vezes que existem azias inacreditaveis, com jogadores a refilar, pais de jogadores a refilar, porque o jovem ou a criança não está a jogar na posição que mais gosta. 

Quando o que se trata nisto, mesmo em adultos como o Lewandowski, é tentar fazer com que o jogador viva experiencias que o vão tornar melhor. Mesmo que em alguns casos o rendimento da equipa sofra com isso. 

O jogador, dentro das posições em que pode jogar, tem experiencias diferentes, com solicitações diferentes.

Uma criança que apareça para jogar, que perceba zero do jogo, o mais certo é começar por jogar a avançado. E não porque se acha que dentro de 10 anos vá ser avançado, ou que seja a sua melhor posição naquele momento... mas porque para a aprendizagem do jogo, tem coisas simples no inicio para fazer : Dar linha de passe a frente da bola, e pressionar que nem um doido quando os defesas tiverem a bola.

De seguida, o mais normal é a criança passar a jogar a central, não porque va ser central dentro de algum tempo, mas porque vai conseguir ver o jogo de frente, e normalmente tem mais espaço para jogar. Espaço = tempo que precisa para controlar a bola e decidir.

O caminho seguinte sera jogar num dos corredores, para ter mais pressão do que a defesa, mas ainda assim que o estimulo só venha de um dos lados. Por fim, jogar no meio, onde acontece tudo e o estimulo vem de 360 graus.

Nada disto tem a ver com o rendimento da equipa, mas sim com o ensino do jogo ao jogador, a criança, ao jovem.. ao adulto também.



Dar ao jogador aquilo que ele precisa para crescer (ao invés de dar a todos o mesmo) não é fácil, porque muitas vezes se vai contra aquilo que o jogador espera e deseja. 

Passado algum tempo, já noutra equipa e sem necessidade nenhuma de "puxar o saco" ao antigo treinador, ter a coragem de dizer o que Lewandowski disse em publico.. vale mais do que as vitórias que se poderia ter tido por ele jogar de inicio a avançado como queria.




quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Klopp e a importância do treino

Poucas semanas depois de entrar no clube, e com jogadores que quase não jogaram ou que não vão sequer entrar nas contas para a esmagadora maioria dos jogos da liga..

  • Pressão alta e intensa, com o jogador que vai pressionar a ter a preocupação em fechar primeiro uma linha de passe e em pressionar depois. Com os colegas a fecharem as linhas de passe próximas e a terem constantemente 3 ou 4 jogadores perto do centro de jogo. Jogadores da linha defensiva a mostrarem constantemente através da linguagem corporal para onde os colegas devem ajustar. 
  • Jogador com bola quase sempre com 4 apoios (frente, trás, esquerda e direita) próximos e visíveis (não vale a pena estar na posição XYZ se está um adversário a fechar a linha de passe, só contam como linhas se A se conseguir ligar com B sem interferência de um oponente).
Alguém acredita que isto seria possível apenas com palestras? Sem (muito bom) treino, seria impossível conseguir comportamentos colectivos tão bem definidos. E, repetimos, com jogadores pouco ou nada utilizados. 



sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Treino. Do exercício mais simples ao mais complexo nunca é fácil decidir as condicionantes.

Num qualquer dia de um qualquer planeamento de treino, pensámos criar um exercício com o objectivo de condicionar os jogadores a defender o corredor central, e quando o adversário ficasse sem espaço no corredor lateral tentar a recuperação. Seria dada ênfase para que criassem formas de condicionar o adversário a circular por fora, convidar a entrar no corredor lateral. Para isso foram criadas a seguinte regra: Cada vez que um jogador for ultrapassado pelo corredor central a equipa tem um castigo. Pode ser ultrapassado em passe ou em drible. Para-se o exercício, cumpre com o castigo, volta ao jogo. 4x4+Joker.

O exercício deve ser parado imediatamente para que se perceba onde e quando aconteceu, e sobretudo o porquê. De imediato reforço negativo ao comportamento.

Para não ser ultrapassado o jogador deve realizar bem a contenção - entre a bola e a baliza para evitar o passe vertical, ou o drible, que o ultrapasse pelo corredor central -, bem como colocar os apoios por forma a condicionar o adversário a jogar para trás, ou para os lados. As coberturas devem estar orientadas para defender o corredor central, deixando os corredores laterais livres - dar uma falsa sensação de segurança a quem tem bola para atacar por aí, e quando a bola lá entrar de imediato pressionar forte. Porém, com a regra definida desta forma estamos a retirar reforço positivo de um comportamento que consideramos adequado. Ou seja, o movimento inteior (em passe, ou drible) por parte de quem tem a bola não estaria a ter continuidade em jogo, e não permitiria que o jogador pecebesse a vantagem do mesmo.

Como dar reforço negativo, no momento, a um comportamento inadequado sem com isso prejudicar um comportamento adequado?

Quem nos quiser responder agradecemos. Em breve colocaremos a solução encontrada por nós. Será interessante perceber se tivemos a mesma solução, e ainda mais interessante perceber outras soluções não pensadas.

domingo, 16 de agosto de 2015

Estás escondido!! Tens de te mostrar!

É ir a farmácia e pedir estes comprimidinhos



Portador da bola avança em direcção ao defesa. O colega está "escondido" atrás dele. Quando o portador da bola se apróxima e levanta a cabeça, o colega sai de trás dele criando uma linha de passe. Quem tem bola decide se passa ou tenta driblar o defesa. Se houver passe, tem de haver devolução.

Evoluir isto para uma situação semelhante, em que quando sai o passe, sai também um defesa de perto do GR, para o "tabela" ter de olhar para trás e decidir se o melhor é devolver, ou virar para a balizar e 2v1+GR.


Estes comprimidos mágicos resolvem quase metade dos problemas atacantes da nossa liga, desde que tomados com alguma regularidade.

É inacreditável como há imensos jogadores (em todos os jogos da liga) que tomam opções que levam a perda de bola, porque os colegas que estão perto... estão completamente escondidos.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O jogo no processo de treino. O foco no tempo de empenhamento motor de cada atleta.


Muito se reconhece hoje a importância que o futebol de rua teve na formação de tantos talentos. Afinal o que oferta o futebol de rua aos jovens praticantes que estes não encontram, tantas vezes na prática orientada? Ao contrário do que por vezes se supõe não são as dificuldades, ou apenas as dificuldades por pisos menos próprios que fazem crescer os talentos. A chave de tudo está no jogo. As crianças / jovens quando se juntam jogam. E é isso que tantas vezes não encontram nos treinos.


Na prática organizada pelos seus treinadores. A chave de todo o processo de treino é o jogo. E por jogo não entenda os formais 7x7 ou 11x11. Tudo é jogo quando tem oposição, duas balizas e os atletas sempre na tarefa e não à espera em filas. Que melhor forma de treinar situações de 2x1 que colocando os atletas a jogar 2x2 com a obrigatoriedade da equipa que não tem a posse da bola ter guarda redes? Em 10 minutos de jogo, os jogadores somam 10 minutos de tempo de empenhamento motor. Para o mesmo objectivo, com filas, por vezes em 10 minutos somam 2 ou 3 de prática. Ao menor tempo na tarefa, junte o ´ligar/desligar´ constante que nunca enfrentam na competição onde têm de estar sempre concentrados. Com criatividade nas regras / condicionantes nos exercícios, todos os objectivos podem perfeitamente ser treináveis em jogo ajudando os atletas a cumprir com mais qualidade os critérios de êxito. 


E é sobretudo pelo constante jogar que hoje é tão reconhecido o futebol de rua. Se a este jogar sempre em actividade, sempre ligados que a rua proporciona aos mais jovens, lhe juntarmos a total ausência de coarctação da sua individualidade (´...é preciso deixarmos que os miúdos sejam individualistas aos 10,11 anos, para termos jogadores de futebol aos 20´ Francisco Silveira Ramos), sabemos que por vezes estão melhor entregues a si mesmos que a treinadores que desde bem cedo pretendem um jogar totalmente mecânico, sem rasgos de criatividade que complementem o modelo de jogo que preconizam nas suas mentes. Há que ensinar e não decorar a jogar. A evolução dos jovens dá-se sobretudo com as experiências que vivenciam. Pouca relevância terá a parte teórica ou verbal que treinadores e pais sempre procuram incutir. É preciso errar e deixar errar para haver evolução. 


Refere Daniel Coyle no ´Talent code´ que as aprendizagens se efectuam dez vezes mais rápidas quando há um erro para corrigir. Para errar há que jogar (2x2, 3x3, 4x4, 3x3+Joker, 4x4+Joker, o que for, mas jogar). Jogar na competição, mas essencialmente no treino porque é ai que os atletas mais horas passam. Menos filas, menos decisões tomadas pelo treinador, mais jogo, maior valorização do talento e do potencial. Maior trabalho sobre os que poderão mais tarde dar mais e não os deixar cair porque não seguem todos os comportamentos mecânicos e pré estabelecidos do modelo de jogo definido. É a única forma de no futuro podermos voltar a ter os talentos em qualidade e quantidade de outrora.

Com o tempo fui aprendendo que mesmo a um nível sénior o potencial de ganhos enquanto individualidade de cada jogador são enormes. Mesmo trabalhando com adultos é possível e obrigatório pensar o processo por forma a fazer crescer não somente o colectivo, mas a tornar cada individualidade melhor. Com os ganhos que naturalmente advirão daí para o próprio colectivo. Afinal, mesmo quando há organização, são os indivíduos que jogam o jogo. Trabalhando com idades mais baixas, é absolutamente decisivo centrar o processo no individual.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

O futebol, o treino, e o que não vem nos livros

Aquilo que faz a diferença na era do conhecimento partilhado é a capacidade de operacionalizar o treino por forma a conseguir concretizar os objectivos da equipa: formar ou rendimento. Temos dito muitas vezes por aqui, que ler livros, fazer cursos, ver o jogo e o treino, não ensina o essencial, e o mesmo também é dito por José Mourinho. E o essencial é o saber pensar. O saber adaptar-se ao contexto consoante as dificuldades dos jogadores, as dificuldades ao nível de espaço, as dificuldades ao nível do número, as dificuldades ao nível do tempo, as limitações em termos de material, e isso ninguém ensina. Isso faz-se com criatividade, que surge do teorizar e discutir com os jogadores, e com a restante equipa técnica, o que se está a passar em cada exercício, qual era o objectivo, se está a ser cumprido - se sim, se está a correr bem pelas condicionantes ditadas pelo treinador ou por influências externas; se não, o porquê -. Surge com o levar para casa o que se passou no treino, e pensar em soluções novas para resolver os problemas sentidos no dia anterior. E por isso, ainda que o conhecimento esteja aberto à todos, poucos continuarão a ser os verdadeiramente competentes para criar um treino de qualidade.

Quantos exemplos querem de treinadores, no escalão máximo nacional, que passam o treino a conversar com os directores, e a olhar para os jogadores, sem perceber nada do que se está ali a passar, por não serem competentes no treino? E por isso, deixam tudo nas mãos dos adjuntos, em quem eles confiam o destino da equipa para o fim de semana seguinte!

Quando me dizem que treinador X trabalha muito bem porque trabalha sempre com bola, e faz uns exercícios giros, desconfio logo. Porque para trabalhar bem é preciso exercícios giros, com bola, dentro de uma determinada lógica de desenvolvimento, com o objectivo de fazer o jogador evoluir nos seus comportamentos individuais e colectivos para o jogo.


terça-feira, 21 de abril de 2015

O essencial no treino de jovens

"Quão castrador é ter pais que depositando os seus miúdos nas academias esperam treinos "XPTO" com filas, rigor, gritos, exigência, mas no fundo pouco sumo. Que pai colocaria (pagando) o seu filho numa academia para que este jogasse uma hora completa 2x2, 3x3, 4x4, 1x2, 1x3? sabendo que ao lado outro treinador organizaria exercícios super complexos com total rigor nas filinhas de espera e com muitos remates depois do passe ao mister?"
Maldini & Lateral Esquerdo, aquiaqui, aqui, e aqui.

Não é de hoje a nossa preocupação com o treino na formação, por sabermos olhar para o que se passa à nossa volta e perceber que algo de muito errado vai na cabeça de quem operacionaliza o treino. O futebol de rua foi-se, e ficámos agarrados a isso como desculpa para o fraco desenvolvimento dos nossos miúdos, dizendo que lhes faltam horas de prática, que já não há a magia da rua. Sem nos apercebermos que, tendo as condições mudado, dificilmente se conseguirá voltar a atingir a excelência sem alterar o método, sem uma adaptação a um novo contexto. Hoje, trago o exemplo de um exercício de treino que tinha tudo para resultar, menos o essencial.
O exercício, repare, tem tudo para funcionar. A sua simplicidade (2x1+GR) não demonstra o quão rico é, e ainda mais o seria acrescentado uma ou duas regras. Mas assim como está, já tem o fundamental para que qualquer jogador jovem possa evoluir dentro de vários parâmetros. Tem oposição, tem cooperação, tem finalização, o jogo está orientado. Porém, por trás no número 11 encontra-se uma fila de 8 jogadores. E com isso, mata-se completamente o exercício, dentro daquilo que é importante para o treino dos miúdos, e aquilo que o futebol de rua levou - Empenhamento motor em situação de jogo. Cada um destes miúdos, que estiveram 15 minutos nesta tarefa teve cinco segundos de empenhamento motor, dentro da situação que interessava evoluir, para um minuto e quarenta e dois segundos parado. Leu bem?! 5s - 102s. Ao final dos 15 minutos, cada jogador fez dez remates, e esteve dez minutos parado. Perdeu dois terços do exercício a assobiar para o ar. Do outro lado, o restante grupo fazia 1x0+GR depois de ultrapassar uma pista de obstáculos, novamente com uma fila enorme associada. Sendo que desta vez, a situação ditava cinco segundos de empenhamento motor para trinta e cinco segundos de espera. Não se pretende criticar os exercícios, ou as intenções que o levaram a ser operacionalizado, desta forma, durante 30 minutos de um treino de jovens. Pretende-se sim fazer perceber que é grave, gravíssimo, um miúdo passar mais de metade do tempo em que devia estar a treinar parado. Sobretudo quando não existe uma situação social adequada para que os miúdos tenham horas de pratica sem fim, como tiveram no passado.

Sobre estes dois exercícios, e com 3 GRs e 2 treinadores disponíveis, dois terços do campo para ocupar, eu teria dividido a equipa em dois grupos, e dentro desses grupos dividir por três equipas. Jogava-se numa situação de 3x3+3 em espaço reduzido, por exemplo, sendo que quem sofria golo passava a ser Joker. Contabilizava os golos de cada equipa e quem marcasse mais ganharia o jogo. Nesta situação, em superioridade gritante, é impossível que não  apareçam os 2x1, com possibilidade de transformar em 1x0+Gr e finalizar. O que acontecerá, também, dentro deste tipo de exercícios, é que as condições para finalizar serão quase sempre diferentes, obrigando quem finaliza a adaptar-se a cada situação, com o maior ou menor grau de exigência de cada uma. Também a quem faz o passe. Poder-se-à dizer que o exercício não garante um número de remates adequado, em termos de volume, para que os jogadores registem evolução. Mas qual é o número de remates adequado para o jogador evoluir? Pois. O que cria evolução, seja qual for o parâmetro, é a dificuldade para superar cada situação. É o encontrar de problemas diferentes, em contextos semelhantes. Aparecer a finalizar de diferentes ângulos, mais perto ou mais longe da baliza, com maior ou menor pressão, com o GR mais perto ou mais longe (da bola, da baliza) - com mais ou menos tempo -, com colegas melhor ou pior colocados, com bolas a virem de sítios diferentes e de formas diferentes, com o obrigar a ocupar diferentes espaços para finalização, etc... Isto é o futebol de rua: Adaptação à vários contextos em situação de jogo, sempre em jogo.

Alguma coisa deve estar a ser muito bem feita, em Portugal, para que num futebol treinado sem bola se consigam fazer alguns jogadores de grande qualidade!
Frase adaptada de José Boto

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Tempos de prática, especialização precoce e o foco nos processos colectivos em idades precoces.

Há não muito partilhei neste espaço a apresentação da formação interna que decorreu no clube.


Muita da preocupação dos treinadores de jovens da actualidade deve estar centrada nos tempos de prática dos nossos miúdos. E por tempo de prática, penso sobretudo no tempo de empenhamento motor e não na duração total da unidade de treino! O tempo em que o atleta passa efectivamente na tarefa. De nada serve inventar exercícios mirabolantes quando depois de espremido os miúdos estão mais tempo em espera, ou quando em actividade, a realizar gestos que em nada se assemelham ao jogo.

Na procura de organizações colectivas especializadissimas em idades muito precoces, onde quem brilha é o treinador, está um dos maiores erros da actualidade. Todos queremos ser o Mourinho. Porém, quem trabalha com camadas jovens tem de perceber que o foco tem de estar no potenciar da individualidade e não do colectivo. Nesse sentido, a qualidade técnica associada à tomada de decisão terá de ser sempre uma prioridade. Portanto, não importa que os miúdos sejam extraordinários na ocupação do espaço se depois não lhes damos tempo com bola para se desenvolverem. Não importa ganhar jogos de Benjamins, Infantis e Iniciados pela organização, não "espremendo" as individualidades ao máximo para que possam atingir todo o seu potencial.




Na dita formação este foi o exercício apresentado e discutido.

E estas as conclusões, segundo os critérios que mais valorizo na construção de um qualquer exercício / jogo:

- Tempo de empenhamento motor: A cada 56'' cada atleta soma 7'' de prática. Em dez minutos de exercício cada atleta terá feito cerca de dez remates. Em que sentido podemos afirmar que fazer isto é melhor que deixar o miúdo sozinho na sua rua a chutar à parede? Ai, em 10 minutos teria somado cerca de 100 remates. E é na repetição e tempo de prática que está a chave de tudo!;

- Não tem oposição! Desenquadrado do jogo. Pouco estímulo para haver adaptações;

- Objectivo apenas técnico (remate / passe / recepção);

- Não junta momentos de jogo (organização / transição);

- Tem sistema de pontuação! (Único ponto positivo)!.


Pensar e operacionalizar exercícios desta natureza, dar tareias físicas quando se poderia estar a jogar futebol, ou tareias "tácticas - teóricas" são o maior flagelo na formação de jogadores em Portugal. Os miúdos já não jogam na rua. Pouco jogam na escola, e chegam ao clube e continuam sem jogar. Em que sentido é correcto afirmar que ter treinador, quando este os submete a este tipo de organização de treino é melhor do que não ter? Sem treinador os miúdos por si próprios dividiriam-se e jogariam futebol. Aumentariam o tempo de prática e logo ai já seria tempo despendido de forma mais interessante. 

Duma realidade diferente da nossa (Alemanha) chega um estudo interessante 




"National Team differed from amateurs in more non-organised leisure football in childhood, more engagement in other sports in adolescence, later specialisation, and in more organised football only at age 22+ years. Relative to numerous other studies, these players performed less organised practice, particularly less physical conditioning, but greater proportions of playing activities. The findings are discussed relative to the significance of playing forms and variable involvements and are reflected against the deliberate practice and Developmental Model of Sport Participation (DMSP) frameworks."

Quando vir o seu filho de nove, dez, onze, doze ou treze anos entregue a uma equipa técnica toda metódica com exercícios todos demasiado elaborados, desconfie. É dos que ocupam o treino a jogar (2x2, 3x3, 4x4, 5x5 etc etc) que eles gostam mais. Tão mais que chega a ser preferível ficar na rua com os amigos que ir para um treino tão elaborado, mas que "espremido dá 10 ou 15 minutos de prática".

PS - Obrigado ao João Marinho pela partilha do estudo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

«Ninguém me defende»

Declaração do mister Conceição numa das suas já famosas conferências de imprensa. Mas Sérgio, nem tu te defendes. Depois da miséria que foi a organização ofensiva e transição defensiva de uma equipa que jogava com mais dois elementos em campo, vir dizer que se não fosse Hélton o resultado tinha sido histórico, é no mínimo hilariante. Depois de infinitos cruzamentos, seguidos pela regra do água mole em pedra dura, com toda equipa do Porto a defender na área (como se impunha), tanto deu que não furou. É o cúmulo da falta de criatividade colectiva, da falta de treino de princípios ofensivos de qualidade, para quando a equipa se veja obrigada a assumir o jogo - contra adversários de menor valia individual e contra equipas em inferioridade numérica. A culpa normalmente é do árbitro, e hoje do Hélton, quando tudo o que se limitou a fazer foi facilitar a vida ao Gr do Porto, que sem dúvida fez uma boa exibição. Independentemente da sua mais valia individual, o Porto com 9 ter conseguido duas saídas em transição que acabaram na área do Braga, diz muito do que é a equipa em organização ofensiva. Que tal falar menos nos árbitros e trabalhar a equipa com princípios de maior valia? Queremos atacar pelos corredores, certo? Então vamos lá encontrar uma forma diferente de desequilibrar aí, sem ser o pontapé para dentro do galinheiro sem critério... Vamos tentar ser um pouco mais imprevisíveis, por forma a deixar o adversário um pouco mais desconfortável no jogo. Isso exige trabalho, exige muito treino, muita repetição, novos condicionalismos, evolução.

Posicionamento inicial
O nome do exercício de treino é zonas de atracção. O objectivo é trabalhar o ataque posicional em superioridade numérica, por forma a levar o adversário a fazer movimentos que nos vão servir como referência para acelerar, pelos corredores. Dura 40 minutos. O critério de êxito é o número de entradas com a bola controlada dentro da grande área - 10x8+GR. A equipa em superioridade deve procurar colocar 4 jogadores dentro do bloco adversário, por forma a cumprir com o objectivo de atrair o adversário para determinadas zonas. Deve manter dois jogadores constantemente largos pelos mesmos motivos. Atrás da linha da bola, o portador da bola, e os dois centrais. No total, 4 jogadores posicionados atrás da primeira linha de pressão do adversário, para garantir uma transição defensiva mais segura. A equipa em superioridade não tem Guarda-Redes para garantir pressão na bola assim que se perde, uma vez que o adversário pode fazer golo de qualquer posição do campo. A equipa em inferioridade defende, de forma zonal, tentando colocar pressão no portador da bola, apenas quando ele se aproxima do local onde o bloco está posicionado. Quando recupera a bola tenta fazer golo. É preciso muita atenção ao marcadores, para que a equipa não perca a paciência e só acelere quando as referências aparecerem. Fazer mover o adversário, e aproveitar esse movimento para atacar pelos corredores laterais.

O principio é provocar a saída de elementos da linha defensiva. Para isso deve-se jogar a bola dentro do bloco adversário. O portador da bola escolhe por onde circular, e quando alguém se sentir confortável para jogar entre-sectores joga. O exemplo é o nr10, mas pode servir para qualquer outro. Se não houver espaços entre os jogadores, conduz para fixar um elemento da primeira linha, e solta no espaço que ficou livre.
Se tiver espaço/tempo para enquadrar, enquadra. Conduz, fixa o lateral e solta no jogador a entrar por fora. Um ataca o primeiro poste, outro o segundo poste. O jogador que executa coloca-se para um passe atrasado. Lateral do lado da bola em cobertura. Lateral do lado contrário entra na área para o caso da bola sair mais longa. Um dos médios fora do bloco aproxima. Ficam 3 atrás.
Se quem recebe dentro do bloco é pressionado pelo central, 11 faz movimento de ruptura nas costas do lateral para atrair a sua atenção, e depois posiciona-se para receber passe atrasado.. Lateral do lado da bola entra na área para receber a bola nas costas da linha defensiva. Quem entrega no apoio frontal posiciona-se para receber um passe atrasado. Lateral do lado contrário entra na área para uma bola que seja mais longa. médio que faz o passe aproximada zona da bola. Ficam 3 atrás.
Se for o lateral a pressionar, 11 mantém posicionamento porque pode receber bola. Lateral do lado da bola aproxima da área para receber passe em profundidade. Se a bola entra no 3, tudo igual à situação anterior. Se a bola entra no 11, 3 posiciona-se na cobertura.
Colocar a bola no lateral no pé, e lateral conduz para a linha de fundo, por forma a movimentar o bloco para dentro da área. Quando conseguir que o adversário esteja dentro da área, toca numa das coberturas, para que fique alguém enquadrado com a baliza, de frente para o bloco adversário. Dois jogadores dentro da área, outros ficam como se fossem receber um passe atrasado.
Mal consiga enquadrar alguém, aproveitar o movimento da defesa que sobe e colocar a bola na profundidade de jogadores que surgem de uma linha atrasada (11-10-8-2).
A diferença entre isto e o cruzamento para a área é a dificuldade que causa a quem defende. Se com o cruzamento simples apanha-se na maior parte do tempo o adversário posicionado no sítio certo e de forma adequada para atacar o lance de frente, desta forma tenta-se fazer por explorar a pouca profundidade que ainda resta, colocando a bola nas costas da defesa, causando maior desconforto a quem defende por quase nunca conseguir atacar a bola de frente, ou conseguindo-o fazer estar sempre no movimento contrário ao da bola.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

"Por vezes faço coisas que os jogadores não gostam, faz parte do meu trabalho" - Mourinho



No jornal Abola, hoje


"Substituído ao intervalo nos dois últimos jogos do Chelsea, Andre Schurrle continua a merecer total confiança de José Mourinho.


«Se estou preocupado com o momento de forma dele? Não, não estou», esclareceu o treinador português, desdramatizando a saída do alemão ao intervalo nos jogos com o Southampton e o Watford.


«Por vezes faço coisas de que os jogadores não gostam, faz parte do meu trabalho. Esqueço o individual e penso no que é melhor para a equipa», justificou Mourinho."

Tantas e tantas vezes.

Todos os jogadores querem ser titulares e jogar o jogo todo. Quando são normalmente suplentes e finalmente têm aquela oportunidade de jogar, ficam numa azia enorme quando voltam a sair da equipa. Seja ao intervalo como foi o Schurrle, seja aos 60 minutos, ou no jogo seguinte. O jogador acha sempre que deve jogar (Ou quase sempre, mas não é fácil encontrar esses oásis)

O que os jogadores têm imensa dificuldade em perceber, é que não jogam.. porque os outros são melhores, ou porque cumprem melhor o que é pedido para aquele jogo, porque o TODO (sim, aquela história de ser mais do que a soma das partes) é melhor com outros jogadores do que com ele. 

Na cabeça de qualquer treinador, de qualquer nível competitivo, e de qualquer escalão, está presente a ideia de que o ideal seria todos terem oportunidades de jogar, todos andarem contentes e super motivados porque a qualquer momento podem estar "lá dentro". 

Mas quanto mais nos aproximamos do TOP, menos vezes isso acontece. Os melhores vão sempre jogar mais, aqueles que fazem a diferença estão mais tempo e mais vezes em campo.



sábado, 1 de novembro de 2014

Os atletas, os futebolistas e os palermas. No aniversário de Deus Maradona.

"Qualquer atleta faria aqueles 80 metros mais rápido que o Diego, mas nenhum ser humano o faria com a bola nos pés" Valdano sobre o golo do século. Maradona frente a Inglaterra no México 86.

"Eu não sou um atleta. Sou jogador de futebol" Romário depois de questionado sobre o estilo de vida que levava. Bem diferente do que o recomendado para os atletas.

Há alguns anos em conversa com um especialista de top mundial em treino e exercício físico questionei-o sobre a excessiva pronação dos pés de um miúdo que joga agora no Belenenses. "Deixa assim. No Brasil costumamos dizer que é quem tem essas diferenças morfológicas que sai jogando futebol. Esses pés tortos são o que fazem o menino ter esse sucesso todo no drible"

"Veja o Coentrão. Sendo um indíviduo débil, frágil, numa disputa de bola contra dois matulões do FC Porto, Cissokho e Rolando, conseguiu, com uma ginga, sentar os dois e ir embora com a bola. Isto para mim é que é força. Ter capacidade de arrancar, travar, voltar a arrancar mas pelo lado contrário" Vitor Frade.

"...se calhar ao mesmo tempo que defendem que o músculo é cego, defendem que é importante a proprioceptividade. Ou seja, não sabem o que estão a dizer. Porque a proprioceptividade é precisamente o que faz do músculo fundamentalmente um orgão sensitivo. Portanto, uma série de mecanoreceptores que se alteram para captarem a evolução do corpo no tempo e no espaço. Ora, o futebol de qualidade, para qualquer posição, apresenta uma diversidade de agilidade e mobilidade que... Eu costumo dizer que a ignorância é atrevida para caraças" Vitor Frade.

"De um modo muito simples, porque altera a relação do corpo com o corpo, ou seja,... Há dois tipos de timing. O timing coordenativo dos músculos entre si, que é a co-contractividade, portanto, vão existir cadeias que passam a degladiar-se, que se passam a estorvar umas às outras. Porque é uma coordenação que se coloca contrária à fluidez que sugere e solicita a espontaneidade do jogo de futebol. Para além disso, há outro tipo de timing, que tem a ver com o ajustamento muscular à alteração sistemática regular que o envolvimento coloca. Ao fazer musculação vai estar a bulir com isso, vai estar a enganar o sistema nervoso. Portanto, vai obstruir o leque de possibilidades de manifestação que o corpo tinha a jogar futebol. E se o fizer quando em desenvolvimento vai inclusivamente bloquear o crescimento, por exemplo, dos ossos e de outras estruturas" Vitor Frade.

Há cerca de quinze dias atrás num contexto fora futebol, tentaram vender-me uma qualquer ideia com o tema "força atlética de base" para apresentar ao futebol formação do clube. Não deixei sequer que  o treinador de cross trainer me falasse sobre ela, pois na verdade cada vez tenho menos tempo a perder a falar de um desporto com quem nada sabe sobre ele. A minha recusa em ouvir deu direito a um texto na página do tal treinador de Cross Trainer. O tal treinador fez questão de o comunicar. Li dois parágrafos e fechei a página. Não li mais, e muito menos comentei. 

A página é esta: https://www.facebook.com/SunTzu.Lusitano.Endovelico?hc_location=timeline.
E o texto é "Uma era pós periodicidade táctica"
Aqui vão alguns excertos:

"Nesse contexto, falei-lhe do meu trabalho da última década, referente ao desenvolvimento de uma estrutura programática do treino da "Força Atlética de Base", especialmente vocacionada para a aplicação em desportos de estímulo e resposta complexos (desportos coletivos, como o Futebol; desportos de combate, etc.). A reação imediata foi: "Sou completamente contra isso!". Ao que se seguiu mais à frente outra "interessante" demonstração do espírito de abertura, evolução, aprendizagem e progresso que caracteriza os meandros do "nosso" futebol: ´"Não vale a pena tentar-me convencer, porque eu tenho já as minhas ideias e não me desvio delas"  Lindo! Pergunto eu, porque terá sido que nos últimos anos, praticamente nenhum jogador de relevo apareceu formado nas academias do clube em questão…?  Quando eu lhe perguntei que opinião tinha então sobre o abundante trabalho de força que é feito na NBA e na NFL, respondeu: “Aí Joga-se com as mãos!”… Mas então imprimir aceleração numa bola com os pés não exige força como exige imprimi-la com as mãos? Então a bola move-se com o quê?... Com o vento que lhe dá… Ou com a força que lhe exercida com o pé?... Enfim!... Além de que correr, arrancando, acelerando, desacelerando e mudando de direcção, tanto acontece na NBA, como na NFL ou no Futebol europeu! Acções motoras estas que exigem MUITA força! Posteriormente, terá ainda argumentado que, para não perder tempo, o próprio aquecimento é feito com bola"

Importa referir que é errada a premissa de não abertura à evolução e à aprendizagem. Na verdade há esse "fecho" com quem se percebe que não tem nada de útil para trazer. Porque o espírito para ouvir quem acrescenta é cada vez maior. E percebe-se que debater o que quer que seja que envolva futebol com o treinador de cross trainer é uma perda de tempo, quando à resposta "ai joga-se com as mãos" surgem conceitos físicos. Quando a diferença é da habilidade motora que é requerida ao praticante. Não se relaciona com capacidades físicas / condicionais. Voltamos à frase de Valdano sobre Maradona...

"Se 15 ou 20 minutos diários a aplicar numa rotina de força, que poderia marcar uma acentuada diferença para com os adversários, era logo muito tempo perdido... Então pergunto eu, para que continuam actualmente os treinadores de Futebol a incluir sessões de alongamentos e lanços de corrida rápida nos treinos…? Ou nem isso já é bom fazer p'ra "não perder tempo"? LoL… Dá que pensar… Os comportamentos técnico-táticos são de facto os que mais demoram a adquirir e aperfeiçoar, mas também os que mais demoram a "desaparecer". Por isso mesmo, a "condição física" deverá ser a primeira preocupação na retoma de qualquer temporada. Eu sei.. Eu sei... Tenham calma! LoL.. Conheço toda a teorização que sustenta o ultra-famoso conceito da "periodicidade tática" tão falado desde a "coroação" de São Mourinho... LoL... É certo que foi o melhor do mundo e continua até actualmente, em minha opinião, a sê-lo. Mas ser o melhor, não é nem nunca para ninguém será “SER PERFEITO”! Há que lembrar "certos pormenores" como o facto de quando esteve a trabalhar em Itália se ter visto "obrigado" a ceder e "deixar" os seus jogadores praticarem a "tradicional musculação", quase diária, que já é praxe das principais equipas Italianas. Penso que nem tudo ao mar nem tudo à terra. Quem não se lembra de Roger Spray no Vitória de Setúbal e no Futebol Clube do Porto? O homem que, sendo preparador físico, marcava mais a diferença nos clubes por onde passava do que os treinadores principais. Desde meter os jogadores a correr por serras e praias, com maquilhagem militar e a "berrarem" cânticos militares enquanto se exercitavam, até à execução de pesadíssimos treinos com halteres e barras olímpicas e “duras” sessões de sauna. Foram tempos onde a supremacia foi marcada pela elevação dos índices de condição física. Obviamente que a seguir a essa fase, como é natural pela forma como em sociedade as coisas costumam evoluir, surgisse uma fase diferente. Uma fase onde a supremacia viesse a ser marcada por quem se preocupasse pelos aspetos aos quais ultimamente se tinha vindo a dar menos importância e atenção. Surgindo pois então o conceito do Treino Integrado e posteriormente a Periodicidade Tática"

Portanto, o Roger Spry é um Deus da competência do futebol porque a malta pintava a cara e subia serras, e próximos só os treinadores de futebol que treinam atletismo ("lanços de corrida rápida")

As palermices são mais que muitas e o atrevimento, como lhe chama Vitor Frade não paga imposto. Curiosamente no mesmo dia em que após umas discussões parecidas, uma daquelas pessoas que acrescenta me havia dito enquanto troçava com outro atrevido "vê lá se fazes no clube um programa de pliometria para ganharem 29cm no jogo aéreo". 

Mas afinal porque desenterrei algo que não me suscitou qualquer valor?

É que hoje, dez dias após o tal texto, provavelmente por uma certa mágoa por não o ter escutado, ou comentado, passou a seguinte mensagem para um amigo que temos em comum "Sabe aquele artigo que escrevi motivado pela conversa com o seu amigo? Já me valeu 3 propostas de trabalho no Futebol! hahahahaha. Agradeça-lhe da minha parte!"

E isto é que é preocupante. Palermas que não conheçam a especificidade da modalidade há aos pontapés. Palermas a comentar proferindo atrocidades são mais que muitos. O preocupante é quando há palermas a tomar decisões, empregando outros palermas que coarctam as possibilidades de desenvolvimento dos nossos jovens jogadores. 

Palermice maior só mesmo crer que um mundo cheio apenas de bons decisores será um Mundo de futebol robotizado. Quando é precisamente o contrário. Robotizado é recebes dali, jogas ali, tu entras ali. Boa decisão é recebes dali, analisas o contexto e jogas onde as possibilidades de sucesso forem maiores.


Aos 4'11'' a resposta ao "what if he'd have missed?" O culto da decisão. Não por um homem, mas por Cantona.

sábado, 27 de setembro de 2014

Tello no treino de recuperação.

Não sou dos que acha que Tello não tem perdão pelo erro no final do Clássico de Alvalade. Sou daqueles que achava ao início que ele não deveria ser titular, precisamente pela tomada de decisão, mas que ao longo dos jogos que ele foi fazendo me tem provado que é titular de caras neste Porto. Tem-me provado que ao nível da tomada de decisão, tem por onde melhorar, mas não tanto quanto o que eu pensava. Sou também daqueles que acha que, apagando esse lance, Tello fez um belíssimo jogo em todos os aspectos. Ainda assim, não se livrava de um raspanete pelo erro cometido.


No treino participam dois treinadores, Ricardo e A.Fernandes (Guarda Redes), dois defesas dos juvenis e um avançado também juvenil.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Sessão de treino de José Mourinho

FIRST SESSION:

The players began with a warm-up with Assistant Coach, Rui Faria. This was dynamic and static stretching combined with speed and agility work. This lasted for 15 minutes.
After this, the players walked over to the session. There were 20 players taking part in the main session. This did not include the goalkeepers, who were working together alongside the Goalkeeper Coach. The players were split up into two teams, and then split again into four teams of five.
The multi-functional session involved two parts. The two teams of five on the inside played 5v5. The two teams of five on the outside (A and B) did speed, agility work combined with shooting. The first player played two wall passes into the coach, before performing ladder work and going through mannequins and finishing with a shot. After the shot, player retrieved his ball from the goal and joined the back group B. Therefore, groups A and B were constantly rotating so that the players got about 5 shots in. (See diagram below)

 

You can see a short video on the quality of shooting at HTTP://YOUTU.BE/KXEMYV03QTE - look out for the Ronaldo strike at the end.
The group inside playing 5v5 did so inside approximately a 30×15 yard area. The blue team defended the goals marked “A” and the red team defended the goals marked “B”. There was a half-way line which prevented the the players from scoring within their own half. (See diagram below)


TEAM SHAPE:

After a short break, the team then moved across to the other field where the next exercise took place. The goalkeepers joined the team and they set up to play 11v11. The field was organized with a 20×40 grid inside the halfway line. Both teams played a 4-2-3-1 formation and Mourinho carefully explained the patterns that they would work on. After one team finished their pattern play with an attempt on goal, the other team then performed the same pattern on the other goal. (See diagram below)


FIRST PATTERN:

Ball starts with the goalkeeper.
1 – Keeper plays the ball to the right fullback
2 – Right fullback passes to center back
3 – Center back opens up the play and passes to advancing fullback on other side
4 – Left fullback passes ball inside to center midfielder


With these four passes building up the attack, it allows the team to advance further forward as a unit, thus allowing the outside fullbacks to move beyond the halfway line.

5 – Center midfielder plays wide to advancing right back
6 – Right back plays into center forward
7 – Center forward sets attacking midfielder
8 – Attacking midfielder can play either forward who is high up the field.


The four attacking players then combine for a finish, sometimes taking another five passes.

SECOND PATTERN:

The second attacking pattern from play again started from the goalkeeper and worked the ball across the back four initially, allowing the team to push up as a unit.
1 – Keeper played the left back
2 – Left back passes to center back
3 – Center back passes to other center back
4 – 2nd center back plays the ball into the midfield and then goes for the return
5 – Midfielder plays a return to central defender in the midfield zone


Once the central defender ‘bounces’ the ball off the center midfielder
6 – Central defender plays ball into center forward
7 – Center forward drops the ball back to attacking midfielder
8 – Attacking midfielder then plays the ball to either wide forward. Forwards then combine passes for a finish.


The four attacking players then combine for a finish, which sometimes took another five passes.
Both patterns took 10 minutes each.

SMALL SIDED GAME:
The Real Madrid players then took a 3 minute break before resuming on the same field. The six forwards involved in the pattern play before were then split up. Three of them became neutral players in the 7v7 game, while the other three did some functional training on the field adjacent.
The field was reduced and the players played a 7v7 game with 3 neutral players. The neutral players always played for the attacking team and combine with the midfielders for a shot on goal. (See below)


 TACTICAL GAME:

The session finished with a tactical game. Six reds, along with four yellows, played against ten blue players in a tight area. The yellow players were forwards from the earlier sessions and were placed in yellow, as oppose to red like their teammates, in order to highlight their movement. The objective of the game was to play the ball out from the back under pressure, and find the yellow players high up the field. The blue team were ordered to press/pressure the ball in numbers at all times. Even at this level, the success rate was not very high, but the tempo and pressure on the ball put a huge emphasis on movement by the attacking players and it was still all performed at a high level.
After changing the attacking players, along with the reds and blues changing roles, they performed one set each of ten minutes. The players then stretched together for ten minutes before concluding the practice


SESSION 2:

The second session of the day took place at 5pm. Again, the Real Madrid players did a 15 minute warm-up routine with Rui Faria before taking a short water break and playing 8v2′s in a small area for ten minutes. This exercise was designed to get the players loose and was not part of the main session.

1ST EXERCISE:

Players were split into two groups of ten. Five players were inside the grid with a ball each and five players stood outside the grid. On the coaches first whistle, the players inside the grid dribbled around under no pressure for ten seconds. The second whistle allowed the players on the outside to come in and challenge them, only after doing the short explosive exercise at the cones. The players inside the grid had to protect their ball for 10 seconds. On the third whistle, both sides recovered back to their initial starting position. The exercise lasted for four minutes before the players inside and outside the grid changed places. Overall, there were two sets before the players took a break.  (See diagram below)


2ND EXERCISE:

The squad was split into two groups and each one worked inside the 18 yard box. Four reds attacked four blues, with two yellow players acting as neutral players. The objective was to create chances playing in a tight, congested 18 yard box. Different movement patterns were used by the attacking team, while the blues made sure they always pressed the ball and kept a solid line. If the blues did win the ball back, they were to try and keep possession while the red team tried to win it back as quick as possible. This added a transitional aspect to the exercise, which Rui Faria had earlier told us was crucial. (See below)


EXERCISE 3:

The Real Madrid squad then moved on to what looked like a simple possession exercise with target players. However, this was a lot more tactical than I first believed. The target players outside the area (in yellow) were all the defenders – Pepe, Ramos, Arbeloa,Varane etc. The target players instructions were to ‘bounce’ the ball off a player in the middle, and switch the point of attack to another yellow, who would attempt to do the same. With a small area and a lot of players, this would seem like a difficult exercise. However, with the red and blue players both opting to play the ball straight back to a yellow player and let them change the point of attack, it really flowed well.
You can see in the diagram below that the short combination passes (1 and 3) draw in the opposition, while the long passes (2 and 4) open the play up. This is a pattern that you will see time and time again when watching the back four in possession at Real Madrid.


TACTICAL PATTERN PLAY:

The team then moved across to the other field to work on pattern play. Similar to earlier in the day, the attacking team (red) were set up with three attackers playing high and wide, and then with a withdrawn forward so it looked as if they were attacking with four high up the pitch. Blues were set-up to defend with seven players ( a back four with three center midfielders), while the reds attacked with eight (four across the midfield and four high up top).

FIRST PATTERN:

The pattern started with a continuation from the last exercise. The ball went across the back four and ‘bounced’  into the midfielder as the defender then opened up the play to the other side. After this happened three times, the fullback received the ball and looked forward (1) . As he opened up, the outside forward checked out of his area, creating space for the center forward to go in (3). The fullback the played a ball down the line for the forward to come onto and try to get turned (2). When the forward received the ball, the other forwards had already made their way to the box to combine for a finish. (See diagram below)


SECOND PATTERN:

This again involved the ball being circulated across the midfield line for three/four times before the attack started. This time when the full back received the ball (1), he passed it short to the outside forward (2). The outside forward came inside with the ball (3) and the center forward check into space in the channel, creating space (4). The outside forward then played a cross field pass to the other outside forward (5) who had space to create a shot on goal himself, or combine with a supporting player.


The last 15 minutes of training involved a 9v9 game in a small area with plenty of opportunities for attacks and shots on goal. Despite the second session of pre-season training, when Jose Mourinho called time on the game, the players were complaining and begging to continue. I was right there with them. Following two training sessions with this kind of organization and quality, I could have kept watching very easily. Mourinho was having none of it however. 

Tudo retirado daqui.