Mostrar mensagens com a etiqueta Treino. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Treino. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Treinar só jogando. Parte II

Eis um exemplo de um exercício cuja validade se apresentado na fase principal do treino, se aproxima do zero.




"...E para aproximar o treino da realidade do jogo só há uma hipótese. Jogar. Ter oposição, ter um critério de êxito próximo da realidade do jogo (seja o golo, seja o chegar com a bola dominada a determinado espaço), e considerar sempre pelo menos dois momentos do jogo (organização / transição). " aqui

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Ponta de Lança e a razão pela qual se iniciou o "lateral esquerdo" já lá vão 4 longos anos

"el nueve clásico, qué hace?

Tener paciencia. Es complicado jugar. Debes fijar al central, es un papel secundario, pero es lo mejor para el equipo. Es un lujo jugar en esta selección. Aquí suele pasar que te vas más contento tú del partido, aunque no marques, porque es lo que necesita el equipo. Hay días que piensas: ‘Qué partido he hecho, ojalá juegue así siempre’, … y te dan hostias por todos lados. Y el día que sabes que has estado espeso, lento, mal, y has metido dos goles, te aplauden. He aprendido a vivir con eso." Fernando Torres.

Entrevista soberba do avançado espanhol. 

Desde o primeiro momento que o propósito do "lateral esquerdo" foi dar a conhecer uma nova visão do jogo e do treino. Fundamentada sempre no conteúdo táctico. A técnica, o físico e o lado psicológico complementam aquilo que deve ser sempre a visão primordial. O comportamento táctico.

O jogo não mais são onze jogadores soltos às suas próprias iniciativas individuais. Os carregadores de piano como Jaime Pacheco os designa, a fazer o trabalho árduo, a correr por quatro ou cinco, os dois extremos bem abertos e dribladores, sempre com o intuito de ganhar o 1x1 para cruzar para a área, onde um avançado espera finalmente o seu momento para entrar no jogo. A finalização. 

O jogo é um conjunto de situações díspares que podem ser resolvidas de forma mais ou menos eficiente. Aos jogadores cabe interpretar a situação (quantos atrás da linha da bola? Quantas opções de passe à direita, ou à esquerda? Quantas linhas de passe atrás da linha da bola, quantos movimentos de apoio ou de ruptura requer determinada situação, com X número de jogadores à frente e atrás da linha da bola?) e dar-lhe as melhores respostas. Pode um jogador passar pelos noventa minutos sem tocar uma única vez na bola e ser considerado o jogador fundamental da partida? Sem dúvida que sim. Em cada situação há quem tenha o que Torres considerou um "papel secundario". Todavia, para que alguém usufrua do "papel principal" é certo que na grande maioria das vezes é preciso haver todo um papel secundário por trás, dando opções, libertando espaços, arrastando marcações.

Poucos dias depois de celebrarmos os quatro anos de existência, uma entrevista fantástica de quem está por dentro daquilo que é ou que deve ser o futebol nos dias de hoje. Em quatro anos de escrita, muito há de arrependimento. Muitas coisas são agora diferentes. Porém, o essencial permanece imutável. Estamos numa era em que perceber o futebol é muito mais complexo que o que na realidade parece. Há onze jogadores, e todos devem ser responsáveis por tudo dentro do campo. Uns dias ganhas notoriedade, noutros parece que o jogo te passa ao lado. Há é que decidir bem a cada instante. Se assim for, a equipa estará sempre mais próxima do sucesso.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Treinar só jogando.

É bem possível que sejam pouquíssimos os treinadores que considerem o jogo como uma forma de chegar ao que pretendem. Há treinadores que não sabem sequer o que pretendem. 

Centrando-nos nos primeiros. Não basta transmitir oralmente o que se pretende. É decisivo criar-se situações no treino o mais próximo possível da realidade do jogo, com condicionantes que potenciem o máximo de repetições daquele que é o objectivo principal.

E para aproximar o treino da realidade do jogo só há uma hipótese. Jogar. Ter oposição, ter um critério de êxito próximo da realidade do jogo (seja o golo, seja o chegar com a bola dominada a determinado espaço), e considerar sempre pelo menos dois momentos do jogo (organização / transição). 

Jogar com inferioridade / superioridade numérica pode eventualmente ser interessante, como forma de promover mais repetições de determinadas acções em determinados espaços, e de dar sucesso ao(s) grupo(s). Defender as transições ofensivas com inferioridade é sempre interessante (jogando com as posições dos jogadores que defendem. Por exemplo, defendem apenas centrais, trinco e lateral do lado oposto onde a bola foi recuperada, obrigando-o a "fechar" muito rapidamente), para que se percebam os posicionamentos a adoptar em função do (escasso) número de jogadores atrás da linha da bola, desde que se limite o tempo de ataque.

Exemplo de uma possível situação de treino, já vista aqui.


Aspectos a ter em conta:

Momentos do jogo a trabalhar
Objectivo geral
Objectivo específico
Critério de êxito
Estratégia para o uso de feedbacks
Tempo
Material

Exemplo

Momento do jogo: Organização e Transição ofensiva.

Objectivo geral: Tomada de decisão no processo de construção de jogo ofensivo em organização. Com e sem bola. Tomada de decisão na movimentação em transição ofensiva.

Objectivo específico: Movimentação do avançado (em organização e em transição) e ligação dessa movimentação com as penetrações dos extremos e médios. Timing para soltar a bola em situação de transição (vantagem numérica).

Critério de êxito: Número de desequilíbrios conseguidos pela movimentação do avançado. Mesmo quando não tocando na bola, permitiu espaço para os colegas desequilibrarem. Número de linhas de passe diferentes (sobre a sua direita e esquerda) que o portador da bola tem a cada instante. Em organização não explora apenas a profundidade, mas também baixa para apoio frontal, arrastando marcação e permitindo a entrada do extremo do corredor oposto ao da bola na zona entre central que fica e lateral. Dá linha de passe sobre o exterior se estiver próximo do extremo, permitindo as penetrações de um interior na zona do avançado. Em transição desmarca para o corredor da bola, enquanto o extremo conduz na direcção do corredor central, fixando o defesa antes de tomar a decisão.

Forma: GR+8x10+GR. (Ataque organizado x Transição ofensiva).

Condicionantes. Ataque organizado joga com 2 centrais, sempre no meio campo defensivo. Trinco, médios interiores, extremos e avançado. Só os centrais e trinco do ataque organizado defendem. Ataque organizado depois de recuperar a bola, tem de fazê-la entrar no seu meio campo defensivo, permitindo a reorganização defensiva da equipa da transição. Na equipa da transição os extremos e o avançado não defendem. A equipa da transição tem 10 segundos para finalizar após cada recuperação de bola.

Feedback: Direccionado somente para os objectivos específicos. Utilizado como reforço. Prescritivos e descritivos.


Por aqui, crê-se que mais de oitenta porcento do êxito (expectativa realista / resultado obtido) passa pelo trabalho de campo, durante a semana. O fim de semana é para divertir. 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Abandono precoce do desporto. O papel dos treinadores.

Porque há imensos treinadores de jovens a ler o blog, aqui fica um texto muito pertinente que deve servir de reflexão para todos quanto os que lidam com crianças na sua actividade. 

"Pedro Teques
Departamento de Psicologia e Comunicação da APEF"


"No desporto, como em muitas outras actividades, os adultos podem ajudar as crianças e jovens a desenvolverem os seus interesses e a optimizar as suas capacidades pessoais. O treinador de jovens apresenta-se como um excelente exemplo em como poderemos maximizar essas oportunidades.
As crianças, de uma forma geral, querem ser bem sucedidas na actividade desportiva que escolheram para praticar. Se regredirmos à nossa infância, e colocarmo-nos nessa posição de ser criança no desporto, facilmente nos lembramos dos sonhos de glória – fazer o tal golo no último minuto. Cada movimento, cada remate, cada execução que é realizada num treino ou jogo, é um marco que pontificará na memória.
Quando se desenvolve uma actividade desportiva com crianças, os adultos significativos (e.g. treinadores, pais) têm a oportunidade de auxiliá-las perante aquilo em que elas são mais vulneráveis – a competitividade precoce. Isto é, os treinadores, os pais, os dirigentes ou os juízes, podem desenvolver a competição sob a perspectiva de fomentar auto-percepções positivas e a auto-aceitação nas crianças. Estes adultos significativos são responsáveis pelo desenvolvimento do divertimento e do carácter, e rejeitar os abandonos precoces da prática desportiva. Idealizando a figura do treinador neste sentido, ser treinador de crianças e jovens não se circunda, unicamente, sob a perspectiva metodológica do treino. Ser treinador de jovens é muito mais do que isso! Implica ter conhecimentos acerca do desenvolvimento da criança, compreender o seu pensamento e a sua cognição. Saber que as crianças e jovens que dirige e auxilia no desporto percepcionam-no como um modelo social a seguir e a respeitar.
Geralmente, os treinadores de crianças querem fazer bons trabalhos, isto é, desenvolver talentos, optimizar capacidades técnicas, fazer a equipa jogar bem, etc. Em muitos casos, alguns desses treinadores são voluntários, que tiveram um passado na prática do futebol, que gostam do treino e do clube. Mas, um mau delineamento dos desígnios pedagógicos e didácticos no treino pode causar graves danos no futuro das crianças e jovens. O que, hoje em dia, de uma forma sucessiva tem vindo a acontecer, é o abandono precoce da prática desportiva. Os treinadores são a figura principal no processo de formação desportiva da criança. A sua má conduta leva ao decréscimo da confiança e da motivação, criando uma barreira entre a criança e a prática desportiva que tanto gostava de praticar. Se foi fácil para um treinador esquecer o jovem atleta que abandonou a equipa a meio da época porque não jogava o suficiente, ou porque, não se divertia, talvez esse mesmo treinador veja, somente, o desporto a partir da vitória e da derrota, e das medidas para alcançar o sucesso rápido na formação.


A formação dos treinadores de crianças e jovens em futebol é uma necessidade premente.
Apesar de se verificar na bibliografia e na prática corrente, tentativas de suporte nesse sentido, a intervenção ainda é parca, face o evidente crescimento de instituições desportivas e, concomitantemente, de praticantes nelas envolvidos. O aumento da taxa de abandono desportivo precoce, por parte de crianças e jovens no futebol de formação, tem sido um sinal de sobreaviso para os responsáveis da formação desportiva, em especial, na modalidade do futebol.
As seguintes linhas pretendem promover a reflexão no delineamento pedagógico dos processos de ensino/aprendizagem em futebol juvenil. Talvez se deva salientar aqui, que a competição desportiva, por si só, poderá ter vantagens (apesar de estar longe de ser o principal motivo, a competição tem alguma representatividade no padrão motivacional dos jovens), mas igualmente desvantagens. À competitividade, normalmente, estão associados o desapontamento, a “pressão” por parte de pais e treinadores, e a frustração. Possivelmente se ela for encarada do ponto de vista da formação perante aqueles que nela estão envolvidos, ela será vantajosa se promover a maximização da aquisição de conhecimentos e de capacidades, passando a ser desvantajosa se impedir ou perturbar o normal processo de aprendizagem.

No sentido de promover os benefícios da prática e do treino em futebol para as crianças e jovens, é importante ter em consideração as seguintes directrizes:

- Distinga as diferenças do desenvolvimento da criança. As crianças diferem dos adultos nas capacidades fisiológicas, motoras, cognitivas e emocionais. Neste sentido, o treinador antevendo o crescimento e desenvolvimento da criança, deverá considerar como efectua a sua comunicação e como delineia as formas didácticas do treino. Por exemplo, quando observamos crianças de 6 ou 7 anos de idade a jogar futebol, facilmente é identificável a forma descoordenada como as crianças se posicionam em relação aos seus colegas e em relação á bola. A bola é o centro das acções. O pensamento da criança nesta idade não apresenta um desenvolvimento suficiente, no que concerne ao domínio espacial e dedutivo. É comum, observar-se em várias actividades os treinadores de crianças com estas idades: “Organizem-se!”, “Passa a bola!”, “Marca o jogador”, “Posiciona-te na defesa”.

- Utilize a comunicação positiva.
A utilização do reforço positivo apresenta-se como fundamental no ensino e prática de qualquer actividade com crianças. A comunicação é uma das áreas que o treinador, em qualquer nível competitivo, deverá saber dominar. As investigações demonstram que, no ensino e aprendizagem desportiva, a utilização do feedback positivo por parte dos treinadores resultam no incremento da motivação, auto-estima e do divertimento nas experiências desportivas de crianças e jovens.

- Crie situações que desenvolvam a tomada de decisão.
Devem ser providenciadas situações para que os jovens atletas tomem as suas próprias decisões em contexto de treino e de jogo. A investigação afirma que a intervenção do treinador em jogo não deve ser contínua.
Nesta circunstância, o treinador deve alternar entre a instrução técnica correctiva (não de forma sucessiva) e o reforço positivo (contingente a uma boa execução). Não raras vezes, observa-se que os treinadores de crianças enviam, constantemente, instruções para o campo, na tentativa de corrigir erros técnicos ou tácticos de jogo – “Joga na direita!”, “Joga na esquerda!”, “Marcação ao homem!”, “Toda a gente atrás da linha da bola” – de uma forma quase contínua. Acontece que, a mensagem enviada pelo treinador, gradualmente, deixa de ter relevância. E, se tivermos em consideração, que as crianças têm, de uma forma natural, uma reduzida focalização da atenção, este tipo de comunicação por parte do treinador apresenta-se como ineficaz. Os treinadores deverão criar um ambiente que encoraje as crianças a tomarem decisões por si próprias. Terão que ver as decisões erradas como uma oportunidade para aprender.

- Identifique e persiga os verdadeiros valores da formação desportiva de crianças.
Tipicamente, os treinadores mais jovens iniciam a sua actividade com boas intenções. Querem que as crianças, sobretudo, se divirtam, desenvolvam novas capacidades e competências, e saibam avaliar a vitória e a derrota através do esforço dispendido para o jogo. Estes são, alguns dos valores, que se identificam como ideais para a formação e desenvolvimento biológico, psicológico e social no desporto. No entanto, o fascínio da vitória, por vezes, eclipsa estes objectivos primordiais da formação desportiva. Os sinais são imediatos: menor rotatividade das crianças nos jogos; de uma forma sucessiva, vê-se as crianças a chorarem por terem perdido o jogo; comportamentos mais agressivos nos treinos; pais descontentes; entre outros. Crie objectivos no início da época, e reveja-os durante a temporada. Para qualquer criança, o divertimento é jogar. Se questionar uma criança se pretende jogar na equipa que perde ou ficar no banco de suplentes da equipa que ganha, a maioria responderá que prefere jogar. Seja crítico para com o seu próprio comportamento. Reserve algum momento de reflexão após os jogos e após os treinos. Reveja o planeamento do treino. Verifique se os próprios objectivos formativos estão a ser cumpridos. As informações que retirará daqui mantê-lo-ão no caminho do alvo que formulou previamente.

- Procure receber feedback do seu comportamento em treino.
Para evoluirmos em alguma actividade, é importante termos recursos que nos informem acerca do nosso rendimento. Após os treinos ou jogos, questione os seus adjuntos acerca da sua prestação e da equipa, do clima, da coesão de grupo, etc. Encoraje-os a serem específicos, a darem exemplos práticos e concretos. Questione os pais acerca do que os filhos dizem dos treinos e dos jogos.
Os pais são um aliado para a formação desportiva! Verifique o sentimento das crianças durante a época. Se eles estiverem hesitantes em falar, faça-os responder a alguns questionários anónimos. Podem incluir questões como, “Se pudesses mudar uma coisa nos treinos para torná-los mais divertidos, o que seria?”, “Qual é o melhor e o pior comportamento que o treinador tem durante os treinos?”, “Onde achas que a equipa poderá melhorar?”. Não se esqueça, a motivação é o motor da prática desportiva.

- Aceite a espontaneidade e o caos que caracterizam as actividades com crianças.
A espontaneidade e os comportamentos inesperados das crianças podem provocar frustração e um grande desânimo se o treinador se render à ilusão do controlo de todas as situações de treino. A realidade é que cada criança é única e, todos os dias, nos presenteará com um comportamento e uma expressão nova. E, cada criança tem um desenvolvimento e uma maturação distinta. È importante ter em consideração que o plano de treino traçado no início da época, não raras vezes, tenha que ser alterado no momento, e necessite de constante revisão. Considere um determinado nível de desordem como inevitável em actividades com crianças.

Treinar crianças e jovens providencia uma excelente oportunidade para os influenciar, positivamente, nas suas vidas. Este facto, é extremamente importante, quando o treinador compreende o desenvolvimento das crianças em relação ás suas capacidades desportivas, vê as crianças como únicas e individuais, e interessa-se, constantemente, pela evolução dos processos de ensino e aprendizagem. Finalmente, ser um treinador de sucesso com crianças é continuar a aprender em cada treino e com cada criança, tornando-se cada dia, num treinador melhor."

sábado, 2 de junho de 2012

Uma cobertura defensiva por dia não sabe o bem que lhe fazia





Como é possível no futebol profissional ainda se marcarem golos destes? Mesmo sendo um torneio de e para jovens.

O rapaz até se aproximou do colega, mas a ausência de rigor posicional possibilitou o golo ao jovem mexicano.

Recuperando um post recente, é precisamente este rigor que faz de João Moutinho um jogador extraordinário. Alguma vez seria possível ver João recuperar a passo quando um colega enfrenta uma situação de 1x1?

terça-feira, 1 de maio de 2012

Técnica de Neymar enfurece o adversário

Aqui.

Muito giro. Só não reconheço é este desporto esquisito onde o jogador da cobertura precisa de lentes graduadas para ver o jogador da contenção. Mas, aposto que tal como está é diversão garantida.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Exercícios desenquadrados da realidade do jogo

Em Portugal continua, e em divisões importantes, a treinar-se pessimamente.

Há quem na fase principal do treino faça jogos de posse de bola. O objectivo é, segundo quem organiza tais exercícios melhorar a capacidade de preservar a bola, ou ser rápido a pressionar o portador da bola "ganha quem recupera mais vezes a bola".

Teria imenso prazer em que me conseguissem explicar de que forma é que um joguinho de posse só pela posse pode servir um qualquer objectivo, que não técnico ou de puro aquecimento. E fará sentido treinar a técnica pela técnica? Desenquadrada da táctica? Fique a saber que nem com crianças!

A sério. Que transpasse pode ter um jogo de posse de bola que se desenrola num qualquer quadrado ou rectângulo, para um jogo de futebol?

Mas, será que há quem pense mesmo que se os seus jogadores recuperarem muitas vezes a bola de uma forma totalmente desorganizada naquele rectangulo estarão aptos a roubar a bola no jogo? Como é possível organizar-se exercícios na fase de desenvolvimento do treino sem alvos/balizas? Mas não é a baliza que define todo o nosso comportamento? Com e sem bola?

E mais que condicionar as regras do exercício para chegar onde quer, há que condicionar os atletas. Na sua movimentação e na sua tomada de decisão.

Exemplo. Pode um jogo de 4x4 (pontua quem ultrapassa com a bola controlada a linha final adversária) em determinado espaço ter "sumo" e outro jogo exactamente igual de 4x4 no mesmo espaço não servir efeito algum? Pode. Tal depende, da forma como se condiciona a movimentação dos atletas. Peça aos 4 que defendam sempre em 3+1, sendo o (+1) o jogador que sai para a contenção, obrigando a que a cada troca de bola adversária, o jogador mais próximo da bola na linha de cobertura (onde estão 3), saia para a contenção, baixando rapidamente quem estava na contenção (o +1) para a linha de 3 (cobertura), e está a afinar uma possível forma de defender quando tem apenas quatro jogadores atrás da linha da bola. Não condicione a actuação dos seus atletas e terá 4 jogadores a moverem-se de forma quase aleatória, treinando nada.

Mesmo no aquecimento (particularmente em treino) é possível seleccionar exercícios que cumpram objectivos tácticos. Mais não seja para não se considerar o tempo gasto no aquecimento um puro desperdício.



terça-feira, 27 de março de 2012

Os resultados e as classificações definem a competência do treinador


Nada mais falso.

Se os dezasseis melhores treinadores do mundo competirem na mesma liga, os que terminarem nas últimas posições da tabela são incompetentes?

E se os dezasseis piores treinadores do mundo competirem na mesma liga, o campeão é competente?

São muitos os campos de acção do treinador. Todos determinam a sua capacidade, mas é essencialmente o trabalho semanal que determina o valor do treinador. Jorge Jesus, a titulo de exemplo, parece demasiado fraco em tudo o mais. Mas, no trabalho semanal é demasiado forte. No campo pode perceber-se que, independentemente de se concordar ou não, há trabalho. A forma como os jogadores interagem entre si, com e sem bola revela-nos o que se faz durante a semana no Seixal.

E em Portugal, haver quem se relacione entre si dentro do campo, de forma definida e treinada já é um upgrade grande em relação a demasiados colegas de profissão. Acredite que ainda há equipas na segunda divisão portuguesa a treinar combinações ofensivas sem oposição na fase principal do treino.

Treina-se mal tacticamente. Ou porque não se percebe com exactidão o jogo e que respostas devem ser dadas a cada instante, ou porque quem o percebe se limita a tentar expor as suas ideias de forma oral.

Sem formas jogadas que potenciem a repetição no treino, com definição de comportamentos e acções tácticas (seja na ocupação do espaço, na movimentação ou na tomada de decisão com bola), dificilmente se poderá falar em trabalho com qualidade. Mesmo que ao fim de semana o Melgarejo ou o Michel resolvam aqui e ali os problemas que vão sendo criados.

O bom treinador não ganha sempre e o mau treinador não perde sempre. Todavia, o bom obterá mais resultados positivos tendo em conta o contexto em que se insere que o mau.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Situação de treino. Exercício. Um exemplo.

Aspectos a ter em conta:

Momentos do jogo a trabalhar
Objectivo geral
Objectivo específico
Critério de êxito
Estratégia para o uso de feedbacks
Tempo
Material

Exemplo

Momento do jogo: Organização e Transição ofensiva.

Objectivo geral: Tomada de decisão no processo de construção de jogo ofensivo em organização. Com e sem bola. Tomada de decisão na movimentação em transição ofensiva.

Objectivo específico: Movimentação do avançado (em organização e em transição) e ligação dessa movimentação com as penetrações dos extremos e médios. Timing para soltar a bola em situação de transição (vantagem numérica).

Critério de êxito: Número de desiquilibrios conseguidos pela movimentação do avançado. Mesmo quando não tocando na bola, permitiu espaço para os colegas desiquilibrarem. Número de linhas de passe diferentes (sobre a sua direita e esquerda) que o portador da bola tem a cada instante. Em organização não explora apenas a profundidade, mas também baixa para apoio frontal, arrastando marcação e permitindo a entrada do extremo do corredor oposto ao da bola na zona entre central que fica e lateral. Dá linha de passe sobre o exterior se estiver próximo do extremo, permitindo as penetrações de um interior na zona do avançado. Em transição desmarca para o corredor da bola, enquanto o extremo conduz na direcção do corredor central, fixando o defesa antes de tomar a decisão.

Forma: GR+8x10+GR. (Ataque organizado x Transição ofensiva).

Condicionantes. Ataque organizado joga com 2 centrais, sempre no meio campo defensivo. Trinco, médios interiores, extremos e avançado. Só os centrais e trinco do ataque organizado defendem. Ataque organizado depois de recuperar a bola, tem de faze-la entrar no seu meio campo defensivo, permitindo a reorganização defensiva da equipa da transição. Na equipa da transição os extremos e o avançado não defendem. A equipa da transição tem 10 segundos para finalizar após cada recuperação de bola.

Feedback: Direccionado somente para os objectivos específicos. Utilizado como reforço. Prescritivos e descritivos.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Reproduzir metodologias para obter o sucesso de um treinador bem sucedido.

É certo que a informação está ai para todos quanto os que a queiram absorver.

É perfeitamente possível perceber um modelo de jogo e pensar "Quero isto na minha equipa". Mas, será possível replicar a metodologia para obter o mesmo resultado?

Impossível.

Mourinho ou Guardiola, pensando nos melhores, quando criam os seus exercícios têm propósitos. Só entrando nas suas mentes seria possível perceber e poder replicar os seus exercícios. Um 6x6 é diferente de um 6x6, se diferentes forem os treinadores. O propósito é diferente, o objectivo é diferente, o critério de êxito é diferente, o feedback é diferente, a especificidade é diferente e o resultado será seguramente diferente. Mesmo que na visualisação tudo pareça igual. São 6x6 afinal.

Crer que é possível replicar uma metodologia, ou um modelo de sucesso é um erro tremendo. Quem pensa que tal pode de facto acontecer, será sempre quem nas primeiras contrariedades pensará que o inêxito se deve à incapacidade dos seus jogadores para colocar no relvado as suas ideias. Nada mais errado. Para que as ideias (boas ou más) surjam no campo de jogo, é necessário saber operacionalizar. E a dificuldade de tudo isto é precisamente a operacionalização.

Perceber o jogo não tem de ser tão complicado assim. É no operacionalizar do exercício por forma a levar os atletas a reproduzirem em cada momento o que se pretende que está a dificuldade.

Não, não é possível replicar modelos, conceitos ou ideias. A menos que sejam ôcas.

Aquilo que se vê no relvado e que diferencia Mourinho, Guardiola, entre outros bem sucedidos dos demais, é irreplicável, porque nasce na mente do treinador. Só Mourinho sabe o que pretende, a condicionante que coloca para obter o que pretende, o critério de êxito que coloca a cada exercício seu.

Saber é fácil e está disponível para todos. Operacionalizar não.

Uma dica. Se está a copiar exercícios de algum lado (livro, colega, etc), já está errado. Se as ideias são suas, como pode um exercício noutro lado servir o seu propósito?